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Brasil: Novos projetos cimenteiros encontram dificuldades

Mesmo com os problemas, os grupos cimenteiros reafirmam projetos.

O presidente executivo da Cimento TUPIMerck Marra Jr, confirmou os planos iniciais de sua empresa para construção da fábrica de cimento em Adrianópolis-PR, com investimentos da ordem de R$ 800 milhões de reais. A reafirmação foi feita quando os representantes da Tupi se reuniram com as autoridades do governo para discutir o projeto e pediram o apoio para solução dos problemas de infraestrutura (energia elétrica, fibra ótica e melhoria da infraestrutura rodoviária na região), bem como agilidade no processo de licenciamento.  Adrianópolis é um pequeno município paranaense de 6 mil habitantes, localizado no Vale da Ribeira, distante da capital cerca de 130 km e que ainda pertence a Região Metropolitana de Curitiba. Na mesma cidade, em fase bem adiantada, a Supremo Cimentos toca a obra de sua segunda planta no Brasil, que deverá começar a produção de cimento ainda em 2015. A Supremo que antes era 100% nacional, em 2011 vendeu metade de seu capital social para a holding portuguesa Semapa, dona da cimenteira Secil.

Ao mesmo tempo em Sergipe, o presidente do Cimento Apodi, Adauto Farias, relatou ao governador Jackson Barreto que foram identificados alguns obstáculos técnicos nos estudos que possibilitarão a localização da planta cimenteira no município de Santo Amaro das Brotas (41 km de Aracaju). Com um investimento de R$ 1 bilhão para implantação, que deveria começar ainda este ano, o Grupo M. Dias Branco/Apodi apresentou ao governador Jackson Barreto a análise dos estudos.  – “A direção do Grupo Apodi veio discutir conosco alguns obstáculos apresentados para exploração da matéria-prima necessária para  o funcionamento da fábrica, o calcário e não podemos perder um investimento desta proporção…” Afirmou o governador.

Sergipe é o maior produtor de cimento da região Nordeste, com uma produção de 3,3 Milhões de Toneladas no ano de 2013. O estado conta também com o anúncio da implantação de uma nova unidade do Grupo Brennand (com uma fábrica em Sete Lagoas, MG e uma em construção em Pitimbú na Paraíba) e com a ampliação das cimenteiras da Votorantim (em Laranjeiras) e da Nassau (em Nossa Senhora do Socorro), confirmaria assim a condição de maior produtor de cimento da região Nordeste, pelo menos até o início da produção das novas plantas em construção e/ou em ampliação no estado da Paraíba, que poderá tornar o estado no 2º maior produtor de cimento do Brasil, perdendo apenas para o gigante Minas Gerais (ver matéria).

O mercado cimenteiro nacional, a partir de 2013, aponta para uma tirada do pé do acelerador, pois vem registrando desde então, crescimentos pífios no consumo do produto, crescendo percentuais próximos aos registrados pela economia como um todo (PIB). Diante dessa desaceleração do mercado, muitos projetos anunciados e iniciados a todo vapor à partir de 2007, quando o consumo do cimento crescia muito e o desempenho do setor batia recordes fantásticos, chegando registrar dois dígitos de crescimento.

Ainda falando da Paraíba e do crescimento da capacidade instalada, atualmente aquele estado produz cerca de 2,5 milhões de toneladas de cimento/ano, quando seu consumo é de apenas 1,2 milhões de toneladas do produto. Todo o nordeste brasileiro, por exemplo, em 2013 produziu 14,5 milhões de toneladas de cimento, consumindo no mesmo ano, 15,4 milhões de toneladas, ou seja, a região importou cerca 900 mil toneladas para suprir suas necessidades para o produto. Se todos os projetos em andamento ou planejados para a Paraíba se concretizarem no prazo prometido, só aquele estado acrescentará à capacidade instalada da região de 7,5 a 8 milhões de toneladas por ano, ou seja, terá capacidade instalada para produzir até 10 milhões de toneladas/ano e continuará consumindo entre 1,5 a 2,5 milhões de toneladas. Essas elevações planejadas, ou já em curso, da capacidade instalada de cimento no país, mais notadamente em algumas regiões especificas, aquelas que apresentavam crescimento acima da média nacional, como foi o caso do nordeste nos últimos anos, pode levar o setor repensar alguns “novos” investimentos.

Muitos projetos já avançados em seus cronogramas, dificilmente sofrerão grandes atrasos, porém com as perspectivas não tão otimista para o mercado cimenteiro (resultados de 2014* e os previstos para 2015), alguns projetos deverão reduzir o ritmo, já que o excesso da capacidade instalada, aqui e ou em qualquer parte do mundo, reflete negativamente nos preços e nas margens do setor, pressionadas há tempos pela elevação nos custos.

Previsões de Crescimento Consumo Brasil – www.cimento.org

Anos

Var. do PIB

Variação Cresc. Consumo

Cons. de Cimento

2003

1,2%

-10,26%

34.884 Mil/Ton

2004

5,7%

2,44%

35.734 Mil/Ton

2005

3,1%

5,41%

37.666 Mil/Ton

2006

4,0%

8,92%

41.027 Mil/Ton

2007

6,0%

9,83%

45.062 Mil/Ton

2008

5,0%

14,44%

51.571 Mil/Ton

2009

-0,2%

0,62%

51.892 Mil/Ton

2010

7,6%

15,64%

60.008 Mil/Ton

2011

3,9%

8,27%

64.972 Mil/Ton

2012

1,0%

6,70%

69.324 Mil/Ton

2013

2,5%

2,37%

70.967 Mil/Ton

2014

0,50%*¹

0,50%*²

71.321 Mil/Ton*²

2015

-0,78%*1

-1%*²

70.609 Mil/Ton*²

*¹ – Previsões do mercado a serem confirmadas ou alteradas até o final de março/15.

*² – Previsões Cimento.Org

Postado em:
13 mar 2015 às 19:34hs
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