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Nassau fecha sua fábrica de cimento no Piauí

A Itapissuma, gigante produtora do cimento Nassau, do Grupo João Santos, fechou suas portas hoje no município de Fronteiras. Instalada em Fronteiras e explorando jazida mineral no vizinho município de Pio IX, a empresa lançou hoje uma nota (reprodução abaixo) comunicando a suspensão de suas atividades.

No comunicado, a empresa alega que a medida deve-se à crise econômica que assola o país. Também revela que suas vendas caíram 80%. A nota convoca os funcionários a compareceram ao Clube Nassau para assinarem o comunicado de dispensa.

Com o fechamento da fábrica, centenas de trabalhadores ficam sem emprego. O impacto da medida é desastroso para a economia da região. A empresa já vinha sinalizando dificuldades há algum tempo. A situação se agravou no mês passado.

No dia 17 de fevereiro, os trabalhadores decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado, por conta de atraso salarial. Com pouco mais de 500 funcionários, a empresa estaria sem pagar salários aos seus colaboradores há pelo menos três meses. Em seguida, a fábrica anunciou a redução de seu plantel de operários quase pela metade.

Impulso econômico

A instalação da fábrica de cimento em Fronteiras deu grande impulso ao desenvolvimento econômico e social do município e da região. A indústria está localizada na zona rural de Fronteiras, no limite com o município de Pio IX, próxima à localidade Quixaba, onde se encontra uma das maiores e melhores jazidas de mármore do mundo, comparada inclusive à de Carrara, na Itália.

A fábrica já foi apontada como uma das mais importantes do Nordeste e contribuiu para que Fronteiras alcançasse em 2012 o terceiro maior PIB per capita do Piauí (R$ 14.319,49). Quase igual, portanto, à média nacional (R$ 16.917,66) e mais de duas vezes maior do que a média estadual (R$ 6.051,10), conforme levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A sede do Grupo Nassau fica em Recife. Fundada por João Pereira dos Santos, patriarca da família, a marca homenageia o holandês Maurício de Nassau. O empresário João Santos – conhecido por “Seu Santos”, como gostava de ser chamado – fundou um império que incluiu, além das fábricas de cimento, companhias de açúcar e papel, fazendas, empresas de comunicação (TV e jornal) e uma empresa de táxi aéreo. Ele faleceu em 2009 e seu império começou a entrar em dificuldades.

As onze fábricas do Grupo João Santos, quase todas iniciadas pelo prefixo “ita”, de origem Tupi e que significa pedra, estão distribuídas em 10 estados do Norte, Nordeste e Sudeste: Cibrasa (Capanema – PA), Itapuí (Barbalha – CE), Itabira (Cachoeiro do Itapemirim – ES), Itaguassu (Nossa Senhora do Socorro – SE), Itapessoca (Goiana – PE), Itapetinga (Mossoró – RN), Itapicuru (Codó – MA), Itapissuma (Fronteiras – PI), Itautinga (Manaus – AM), Itacimpasa (Itaituba – PA) e Itaguarana (Ituaçu – BA).

Por Zózimo Tavares/Cidade Verde | Edição: Jornal da Parnaíba/Cimento.Org

Postado em:
6 mar 2017 às 19:28hs
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