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Brasil: Vendas de cimento caem 10% no quadrimestre

A indústria de cimento do Brasil, a quinta maior produtora mundial de cimento, registrou nova queda nas vendas em abril e o setor cobra mais rapidez e vigor do governo para conter a expansão da capacidade ociosa do setor, que deve fechar nos 50 por cento no fim deste ano.

No primeiro quadrimestre de 2017, as vendas de cimento no mercado interno totalizaram 17 milhões de toneladas e esse montante representa uma queda de 10,1% frente ao mesmo período do ano passado. Já as vendas de cimento no mês passado caíram 16 por cento sobre abril de 2016 e 14,4 por cento sobre março.

O primeiro crescimento do PIB para o primeiro trimestre de 2017, ante trimestre anterior, antecipado pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), ainda não foi sentido na indústria da construção civil e no setor cimenteiro.

O economista do Santander Rodolfo Margato, que prevê 1,1% para o PIB do período, calcula que metade dessa expectativa se deve à agropecuária, com contribuição de 0,6 ponto porcentual graças ao crescimento de 11,5% do setor. “O PIB do 1º trimestre deve ser uma notícia positiva, mas pontual, não podemos esperar um crescimento neste ritmo médio nos trimestres seguintes”, diz.

“Esse otimismo que o mercado está narrando sobre alguns setores da economia ainda não chegou para a indústria do cimento”, disse Paulo Camillo Penna, presidente do SNIC.

“Verificamos a necessidade de se ter ações com maior intensidade e velocidade, como investimentos públicos de maior monta (…) O mercado financeiro tem um volume significativo de imóveis retomados na área habitacional e a indústria só vai voltar a construir quando houver um estoque muito menor que hoje”, acrescentou Penna.

O presidente do SNIC citou decisões positivas tomadas recentemente, como a ampliação do público-alvo do programa Minha Casa Minha Vida, aprovação de crédito para reformas em moradias, redução na taxa básica de juros e da inflação. Embora reforçando que não acredita em acréscimos de demanda que revertam o atual quadro do setor.

Segundo Camillo, a ociosidade do parque cimenteiro já acumula uma capacidade produtiva ociosa de 45 por cento, devendo chegar aos 50 por cento até a virada do ano e se confirmando uma nova queda de 7 por cento nas vendas em 2017, os maiores níveis de ociosidade do setor, registrados em 1980 (43%), serão facilmente ultrapassados neste ano. O setor já tem capacidade de produção para de 100 milhões de toneladas/ano e, na outra ponta, acumula quedas consecutivas de vendas desde 2015, quando chegou a 71 milhões em 2014 e bateu os 52,7 milhões de toneladas em 2016. Para 2017, mesmo com alguns sinais positivos nos indicadores econômicos, arriscamos cair para cerca de para 49,0 milhões de toneladas.

“Estamos vendo suave desaceleração da queda nas vendas, o que efetivamente não soluciona de maneira nenhuma a situação dramática que estamos vivendo”, disse Penna. “A recuperação nossa, diferente de um grande número de outras atividades industriais, não se dará em 2017 e provavelmente nem em 2018”.

A projeção de consumo de cimento para o final do ano continua com queda entre 5% e 7%. Alguns fatores positivos, dentre eles a menor expectativa para o IPCA e para a Selic, e outros negativos, como a estagnação do PIB, a elevada e crescente taxa de desemprego e indicadores ainda ruins da construção civil, levaram a manutenção dessa expectativa.

Ele afirmou que a expectativa do Snic é que o Brasil perca pelo menos duas posições no ranking de maiores produtores mundiais de cimento do mundo. “Provavelmente, Rússia e Irã vão superar o Brasil em 2017”, disse Penna, citando que as produções de ambos os países em 2016, respectivamente, foram de 56 milhões e 53 milhões de toneladas.

Fontes: Reuters –SNICCimentOnline

Postado em:
12 maio 2017 às 18:34hs
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