
O ex- diretor executivo da LafargeHolcim, Eric Olsen, foi denunciado e formalmente acusado de “financiar grupos terroristas, colocar em risco vidas humanas e de ser cúmplice em crimes de guerra ao apoiar grupos jihadistas” entre os anos de 2013 e 2014 na Síria. Ele era vice-diretor geral da Francesa Lafarge na época dos fatos e depois passou a dirigir a holding nascida da fusão com a Suíça Holcim. Olsen e outros ex-diretores da Lafarge são investigados, também, pela compra de petróleo do Estado Islâmico, violando o embargo decretado pela União Europeia em 2011 e também por desembolsar quase de seis milhões de dólares para a organização jihadista, pagando por “proteção” aos empregadose para facilitar o funcionamento da fábrica de cimento do grupo no norte da Síria.
O caso só veio a tona após uma denúncia da ONG chamada Sherpa, que realiza pesquisas e levanta crimes e ilegalidades de empresas ao redor do mundo, que juntou depoimentos e denuncias de um grupo de ex-empregados daquela planta na Síria e que pode levar a Lafarge a ser a primeira empresa multinacional de peso a ser processada por crimes de guerra. Uma apuração interna independente constatou que os pagamentos foram feitos para tentar manter o funcionamento “normal” da unidade não condiziam com as políticas da empresa. O atual presidente da LafargeHolcim Beat Hess comentou: “Erros inaceitáveis foram cometidos e o grupo lamenta e condena” e informou que a empresa estava cooperando com a justiça francesa.
Perguntado se Bruno Lafont, que era o CEO da Lafarge na época sabia sobre os pagamentos, Hess disse: “Eu não estava no grupo no período e não tenho motivos para ter dúvidas sobre Bruno Lafont” indicando que a investigação interna do grupo não apontava nessa direção. Na semana passada Bruno Lafont ex-CEO e atual copresidente LafargeHolcim e o ex-vice gerente geral da cimenteira francesa, Christian Herrault também foram indiciados.
Sobre a planta Síria
A Lafarge construiu durante três anos de obras a planta da cidade de Jalabiya, investindo aproximadamente US$ 680 milhões de dólares no negócio, que só começou a produzir cimento em maio de 2010. No ano seguinte, em março de 2011, aconteceu a primeira onda de agitação política na Síria e os protestos pacíficos logo se tornaram violentos.
No final daquele ano houve uma deterioração significativa da segurança daquela unidade fabril e no ano seguinte, em junho de 2012, os funcionários expatriados foram evacuados do país e os executivos não sírios foram para o Cairo, de onde passaram a supervisionar remotamente as operações da planta. Nos dois anos seguintes a fábrica continuou operando com dificuldades, quando em setembro de 2014 a planta foi totalmente evacuada.
Sobre LafargeHolcim
A LafargeHolcim é a maior empresa de materiais de construção do mundo e, atualmente, acumula o título de maior produtora de cimento ao redor do planeta, com capacidade instalada de 286,66 milhões de toneladas/ano, superou as gigantes chinesas como Anhui Conch e CNBM. Em 2016 a empresa operava com 164 fábricas de cimento e empregava cerca de 90.000 funcionários em mais de 80 países.