
Crise na Usiminas afeta produção de cimento
A suspensão das atividades produtivas na USIMINAS de Cubatão prejudica as cimenteiras instaladas na região que utilizam a escória de alto-forno, subproduto do processo de fabrico, quando o aço e o ferro são fundidos. Esse “rejeito” é utilizado na produção dos cimentos do tipo CP III e CP II E, sendo usado, em substituição ao clinquer (matéria prima intermediária, produto semi-acabado ou cimento não pulverizado), em percentuais que pode chegar até a 70%, como no casos dos cimentos tipo CPIII que também é produzido pelas unidades instaladas em Cubatão.
As duas fábricas da cidade, a Votorantim Cimentos e a InterCement, sofrerão com a suspensão das atividades e com a crise na siderúrgica na Usiminas. A Votorantim demitirá cerca de 30 funcionários e deve passar a funcionar apenas como CD (centro de distribuição) da marca Votoran, distribuindo no CD o cimento produzido em outras unidades mais próximas ao mercado, como as fábricas de Salto de Pirapora ou de Santa Helena, distantes cerca de 190 quilômetros de Cubatão. A empresa, mesmo tendo que desligar alguns colaboradores, avaliará a possibilidade de realocação em outras plantas do grupo.
A InterCement Cubatão, do Grupo Camargo Corrêa, que começou a produzir cimento na cidade em 2013 (ano em que o mercado cimenteiro ainda estava aquecido), continuará produzindo cimento até o fim dos estoques de escória e, provavelmente, por operarem uma moagem, já utilizando o clinquer produzido em suas plantas de Cajatí e Apiaí, poderão receber escória e/ou pozolana de alguma delas, ou mesmo tentar viabilizar a importação de escória via porto de Santos.
Diante do atual cenário da economia nacional e das vendas de cimento no país, onde a região sudeste já acumula uma queda superior a 10% nas vendes em 2015, ante aos números comercializados de janeiro a novembro de 2014, a busca por soluções economicamente viáveis será vital para os dois grupos, para os colaboradores e mesmo para a economia local. Recentemente a Votorantim encerrou as atividades produtivas de sua planta de Ribeirão Grande, alegando questões macroeconômicas e a Intercement encerrou as atividades de sua moagem no Porto de Suape, em Pernambuco.