
A InterCement continua trabalhando nos bastidores para se desfazer de até 40% do controle acionário da Loma Negra, maior produtor de cimento da Argentina, hoje totalmente controlada pela Camargo Corrêa, através de sua holding cimenteira, a InterCement, empresa de capital privado, criada em 2010, líder nos mercados de cimento em Portugal, Argentina, Moçambique e Cabo Verde. No Brasil e no Paraguai a empresa ocupa a segunda posição, além de posições destacadas nos mercados da África do Sul e do Egito. Sendo, atualmente, um dos grandes players mundiais, aproximando-se do Top 10 do mundo em capacidade de produção de cimento.
As negociações para venda de parte do controle acionário da cimenteira Argentina, já acontece com alguns potenciais investidores e boa parte deles são empresas de investimento, com participações em empresas industriais que não se concentram apenas no setor cimenteiro.
A InterCement comprou o controle acionário da Loma Negra em 2005 por 1,03 bilhão de dólares, sendo a aquisição à época, a primeira de uma série que fortaleceu, sobremaneira, o grupo em mercados emergentes, culminando com a compra da totalidade das ações da Cimpor em 2012. A família que controla a Camargo Corrêa tem discutido, pelo menos, nos últimos dois anos, sobre a venda de participações na InterCement ou de parte de seus ativos, como no caso a Loma Negra.
Desde o fechamento do acordo de leniência dentro da Operação Lava Jato, a Camargo Corrêa já se desfez de dois importantes negócios: O grupo vendeu sua fatia na Alpargatas, dona da marca Havaianas, que foi repassada ao grupo J&F Investimentos, dona da Friboi e, em julho do ano passado, a companhia se desfez de sua participação na CPFL Energia, que ficou nas mãos de uma gigante chinesa, a State Grid Corporation of China.
Na época da venda da Alpargatas, negócio atraiu a atenção de muitos interessados e ela foi vendida, a toque de caixa, aos donos da Friboi, que apresentaram a melhor oferta. Os dois negócios reforçaram o caixa da holding em quase R$ 8,6 bilhões e o acordo de leniência abocanhou R$ 804 milhões, sendo o saldo restante direcionado para redução do endividamento da companhia.
No ano passado muito se especulou em relação a venda de parte da cimenteira aos chineses e mesmo a venda de algumas de suas unidades no Brasil à irlandesa CRH, já instalada no sudeste brasileiro em 2015 com a compra de alguns ativos da LafargeHolcim.
O ano de 2017 deverá ser decisivo ao Brasil. O mercado da construção civil e atrelado a ele o mercado cimenteiro vive a expectativa da chegada definitiva ao “fundo do poço”, sonhando que seja este, o ano da retomada, da recuperação…Onde a torcida é para que as previsões de novas quedas ou de tímidas recuperações sejam grandes equívocos.