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Camargo investirá R$ 3,6 bi no país

Camargo investirá R$ 3,6 bi no país de 2011 até 2016 em expansões e construção de novas fábricas.

 Para ganhar mais espaço e acompanhar a expansão do consumo de cimento no mercado brasileiro, que cresce a taxas anuais de dois dígitos, o grupo Camargo Corrêa definiu investimentos de R$ 3,6 bilhões de 2011 até 2016 em expansões e construção de novas fábricas. Esse montante faz parte do pacote de R$ 14 bilhões anunciado recentemente pelo grupo, que inclui a aquisição de 33% do capital da portuguesa Cimpor feita em fevereiro deste ano por R$ 3,5 bilhões. A outra metade contempla a ampliação da controlada Loma Negra, na Argentina, e a entrada nos mercados de Angola, Moçambique e de outros países da América do Sul.

No Brasil, o plano de expansão eleva em 75% o tamanho da controlada Camargo Corrêa Cimentos no período sobre o volume atual de 8 milhões de toneladas. Humberto Junqueira de Farias, presidente das operações da CCC no país, diz que a visão do grupo é de o consumo brasileiro, ainda um dos mais baixos do mundo, terá crescimento sustentável pelo menos até 2015. “Há muita obra de infraestrutura a ser realizada no país, demanda por obras industriais e comerciais e continuidade da demanda por moradias”.

 A empresa encerrou 2009 com participação de 10% do mercado brasileiro, em terceiro lugar no ranking nacional. A meta é ir além de 15% daqui a cinco anos, para quando projeta consumo de 81 milhões de toneladas no Brasil. Para este ano, a previsão é vender 6 milhões de toneladas, ante consumo doméstico de 64 milhões de toneladas.

 Com esse programa de investimento, a CCC pretende entrar de vez nos mercados do Nordeste – a região do país onde o consumo de cimento mais cresce – e do Norte. Está prevista uma grande fábrica em cada região. Cada unidade industrial será integrada – desde a extração de calcário, principal matéria-prima do cimento. “Temos jazidas do minério em vários Estados nas duas regiões e algumas delas já se encontram na fase de licenciamento ambiental. O próximo passo é fechar as negociações com os governos estaduais para definir os locais de instalação de cada um dos empreendimentos”, afirma Farias.

Cada instalação desse tipo geralmente é desenhada para produzir pelo menos 1 milhão de toneladas e requer investimento de no mínimo US$ 250 milhões, informa o executivo, que no grupo já cuidou de negócios na área ambiental e por dois anos ficou à frente da Loma Negra, depois de adquirida em setembro de 2005. “Uma fábrica como essa leva no mínimo três anos para ficar pronta e o licenciamento ambiental pode demorar mais de um ano ano, dependendo do caso. É um dos pontos mais complicados nos projetos”, diz.

 Atualmente, a CCC tem apenas uma pequena moagem, de 300 mil toneladas, no Nordeste. Está instalada ao lado do porto de Suape, em Pernambuco, e foi adquirida em 2008. “Com a nova fábrica na região, vamos poder ampliar bem essa moagem, que hoje opera com insumos (clínquer e escória) importados”, diz, destacando que ter uma base produtiva na região está dentro da estratégia de crescimento do grupo.

 No Norte, onde não tem nada e onde quem reina são os grupos Votorantim e João Santos, a empresa vislumbra grandes oportunidades. “Podemos começar com uma fábrica para atender a demanda da obra da hidrelétrica de Belo Monte (no Pará) e outras seis usinas que estão previstas para serem instaladas lá”.

 As operações da CCC – que está atrás da Votorantim, líder, e do grupo João Santos no ranking nacional – estão concentradas na região Sudeste, principalmente em Minas Gerais – Pedro Leopoldo, Ijaci e Santana do Paraíso. No Sul, que é suprido pela fábrica de Apiaí, localizada no sul do Estado de São Paulo, também não tem unidades industriais.

 O primeiro passo desse programa de investimento, informa Farias, vai ocorrer daqui a um ano. A empresa pretende pôr em operação uma moagem de 800 mil toneladas em Cubatão (SP), próximo da siderúrgica da antiga Cosipa (hoje Usiminas) entre o terceiro e o quarto trimestre de 2011.

 No ano seguinte, a CCC planeja iniciar a duplicação da fábrica de Ijaci, no Sul de Minas. “Vamos começar com uma instalação de moagem de cimento, fazendo o processo de trás para a frente”, explica. Depois, o plano prevê a instalação de um grande forno para fabricar o clínquer, a matéria-prima intermediária do cimento a partir do calcário. Ao final, por volta de 2014, a capacidade de Ijaci passará de 2 milhões para 4,4 milhões de toneladas por ano.

 Segundo Farias, essa fábrica, ampliada, vai poder atender mais o mercado paulista, liberando a de Apiaí, duplicada no ano passado, para atender o Sul. “Hoje, limitados, entramos pouco além do norte do Paraná. Com mais produto e usando mais a logística ferroviária, que traz vantagem no custo do frete, queremos avançar no Sul”.

Para o Centro-Oeste, outra fronteira de expansão econômica que tem puxado o consumo de cimento, o plano pode contemplar nova linha na fábrica de Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, o que praticamente dobraria a capacidade atual de 700 mil toneladas. “Em janeiro, com uma pequena expansão, já vamos adicionar 100 mil toneladas”. No Porto Açú, do grupo EBX, no Rio, está certo que se houver uma siderúrgica, que geraria escória, a CCC montará uma fábrica de 800 mil a 1 milhão de toneladas.

 O negócio de cimento, no ano passado, respondeu por 14,1% da receita líquida de R$ 16,2 bilhões do grupo Camargo Corrêa. No Brasil e Argentina, foram produzidas e vendidas 10,2 milhões de toneladas de cimento.

Postado em:
3 out 2010 às 12:33hs
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