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Cimento no mercado do nordeste

A queda nas vendas de cimento no país, para 2016, deverá ser superior a 10% e fará a indústria recuar aos números realizados do ano de 2010. Até bem pouco tempo atrás, o mercado nordestino era o mais promissor do país em termos de crescimento das vendas de cimento.  Até o saudoso ano de 2014, ano não tão distante assim, a região nordestina crescia a taxas quase sempre superiores à média nacional, o que despertou um forte interesse em se investir no setor na região.CimentOnline - Toda Obra Começa Aquivenda cimento previsão ate 2016 NE e BR

Como o prazo de implantação de uma fábrica é relativamente elevado e do planejamento ao startup leva, no mínimo cinco anos, o grosso das construções ou ampliações ocorreu no melhor momento do mercado. Já o lançamento das novas marcas e sua comercialização, aconteceu e continua acontecendo, em um momento preocupante para o país, em especial para a construção civil e para a indústria cimenteira.

snic ultimos 12 meses

Fora a queda no consumo, comum a todo o país, conforme gráficos, o mercado da região nordeste sofre os reflexos das ampliações da capacidade instalada, que disparou nos últimos 10 anos. Só para se ter uma ideia dos números, a capacidade de produção das plantas instaladas no nordeste cresceu cerca de 80% nos últimos 10 anos. Em 2006 operavam em todo o mercado apenas seis marcas, de cinco grupos cimenteiros, produzidas em 15 plantas. Atualmente, nada menos que 17 marcas de cimento, de 14 grupos empresariais diferentes, são produzidas e comercializadas em 31 plantas. O rápido crescimento da capacidade instalada e, consequentemente, da oferta de cimento na região, com a demanda em queda, tem sufocado as margens, impactando negativamente o retorno dos investimentos e, até mesmo, desmantelando o planejamento de pagamento dos recursos captados por alguns dos novos investidores do setor.

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PREÇOS CIMENTO PAÍS X NORDESTE

Segundo informações dos Sindicatos da Construção Civil (SINDUSCON) dos diversos estados da região nordestina, conforme dados divulgados pelo CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), os preços médios do saco de cimento de 50 quilogramas, em dólares americanos, adquiridos pelas construtoras da região, são hoje inferiores aos preços praticados para elas em junho de 1994, inicio do plano real quando a paridade da moeda era de 1 Real para 1 Dólar.

preço cimento 94 e 2016 em dólar

Sem considerar que o valor da moeda brasileira, devido à inflação acumulada nesses quase 22 anos, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, até março de 2016, que foi de 437,79%. Essa desvalorização, segundo cálculo do Instituto Assaf, entidade privada formada por professores e pesquisadores das áreas de economia e finanças, fez com que o REAL, em março, valha menos que um quinto de seu valor de face, conforme arte desenvolvida pela UOL.

Arte desenvolvida pela Uol

Arte desenvolvida pela Uol

Ainda segundo dados do CBIC (Faça Download da planilha CBIC), os preços médios em reais, praticados para o saco de cimento de 50 Kg para as construtoras do nordeste em abril/16, comparados com abril/15 já despencaram, em média, 8,1%. A pressão tem sido ainda maior nos estados que mais ampliaram suas capacidades produtivas.  O estado da Paraíba, por exemplo, que recebeu recentemente mais duas grandes plantas, uma do grupo pernambucano Ricardo Brennand e a outra do Grupo paraibano da Elizabeth, os preços praticados para construtora por lá, no mesmo período, caíram 16%. A queda nos preços da Paraíba chegou também ao vizinho estado de Pernambuco, onde a queda média foi de 14% no mesmo período avaliado. Por lá, mais recentemente, começou a produção da moagem do novato Cimento Forte, porém, em contrapartida, a InterCement, holding cimenteira do grupo Camargo Corrêa, suspendeu a produção de sua moagem no Porto de SUAPE,  a “antiga” planta que até 2008 pertencia a CIMEC e produzia o Cimento Brasil.

Nos estados do Ceará e em Sergipe a queda nos preços, nos últimos 12 meses, chega a 12%, forçada pelo aumento da produção de cimento no próprio estado cearense, com a entrada do Cimento Apodi em 2013 e a ampliação recente da planta da MIZU, no vizinho estado do Rio Grande do Norte, onde também a queda nos preços é registrada.

A última planta nordestina inaugurada, uma moagem em Marechal Deodoro, no estado de Alagoas, vai colocar um pouco mais de lenha na fogueira. A ZUMBI Cimentos, com uma capacidade produtiva de 350 mil toneladas de cimento por ano, podendo chegar a 480 mil toneladas, deverá acirrar ainda mais a disputa no mercado alagoano, refletindo em Sergipe, Pernambuco e eventualmente, até na Bahia.

No acirrado mercado potiguar, em Currais Novos, região do Seridó, há 185 quilômetros de Natal,  deve começar a jogar no mercado, ainda no mês de junho, o Cimento ELO, uma nova marca, produzida por uma pequena fábrica de forno vertical, que iniciará a produção ainda como moagem e que terá capacidade para produzir e ensacar até 350 mil sacos de cimento por mês, será a décima oitava marca em território nordestino.

A opção de se investir na região, nos últimos anos, fez com que a ociosidade da indústria cimenteira da região fechasse o ano de 2015 com cerca de 40%, com previsão de novo “recorde” de ociosidade para o ano de 2016, já que a queda no consumo do produto deve ultrapassar a casa dos 10% e novas marcas ainda estarão chegando ao mercado.  As novatas, ainda com pouca experiência e conhecimento do setor, percebem que não poderiam ter chegado em pior momento e, mesmo as marcas tradicionais, de grandes grupos cimenteiros, terão que reduzir seus custos, repensar suas estratégias e se reinventarem para fazer frente à essa nova realidade.

Postado em:
3 jun 2016 às 18:56hs
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