
O grupo pernambucano Queiroz Galvão é um colosso que fatura R$ 7 bilhões e tem seus tentáculos espalhados por diversos setores da economia brasileira. Com mais de 50 empresas, ele atua nas áreas de construção, alimentos, óleo e gás, siderurgia e engenharia ambiental. Agora, a Queiroz Galvão, comandada pelo empresário Antônio Augusto Queiroz Galvão, se prepara para entrar na briga pelo mercado de cimento no Brasil, competindo diretamente com gigantes como a Votorantim e a Camargo Corrêa. A empresa se associou ao grupo pernambucano Cornélio Brennand – das áreas de energia e produção de vidros – para construir uma fábrica em São Luís, a capital do Maranhão, com capacidade de produzir 500 mil toneladas de cimento por ano.
As obras, segundo a Secretaria de Desenvolvimento do Maranhão, deverão começar ainda neste ano. Essa será a primeira de cinco unidades industriais que devem ser erguidas pela joint venture, cujo investimento pode chegar até R$ 1 bilhão, conforme apurou a DINHEIRO. A Queiroz Galvão não comenta sobre a nova fábrica. Procurada, não quis dar entrevista para esta reportagem. De acordo com fontes ligadas ao novo projeto, inicialmente a empresa atuará com foco nas regiões Nordeste e Norte. “Esses são os mercados que mais crescem no Brasil”, diz Thais Virga, analista do setor de construção da Lafis Consultoria.
A Votorantim Cimentos está também construindo uma fábrica com capacidade de produzir 700 mil toneladas por ano em São Luís. A entrada da Queiroz Galvão na área de cimentos acontece em um momento em que o mercado está aquecido. Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento, o consumo per capita de cimento aumentou 13% em 2010.”É um mercado muito rentável”, diz Thais. A concorrência deve também se acirrar. A Camargo Corrêa, por exemplo, fez uma oferta de R$ 2,5 bilhões, no fim de março, para assumir o controle da portuguesa Cimpor, valor rechaçado por ser considerado baixo. Se o negócio for concluído, a construtora passará para a segunda posição do ranking brasileiro, atrás apenas da Votorantim, que é responsável por 40% da produção nacional de cimentos.