
As vendas internas de cimento no Brasil totalizaram 53,8 milhões de toneladas em 2017. O número representa uma nova redução de 6,4% em relação ao ano de 2016 que, somada às quedas dos últimos anos (2015 a 2017), intensifica a retração das vendas de cimento no país, que já acumula uma queda de 24,2 por cento em três anos consecutivos.
PREVISÃO PARA 2018 É MAIS OTIMISTA
A indústria de cimento, mesmo assim, registrou uma redução no ritmo de queda nas vendas no último ano, já que no ano anterior (2016) a queda registrada foi de, nada menos, que 11,5% em relação ao ano de 2015. Para o ano que se inicia, o setor, mais otimista, aposta em um crescimento de 1 a 2% sob 2017, contando com o avanço do PIB, a redução de desemprego e a melhora no crédito para construção de novas moradias.
DECISÕES POLÍTICAS AJUDARAM NOS RESULTADOS
Alguns fatores contribuíram para a diminuição no ritmo da queda: A inflação dentro da meta, taxa de juros em queda, massa salarial em expansão, liberação do FGTS de contas inativas e do PIS/PASEP, ampliação do teto dos preços dos imóveis financiados pelo FGTS e aumento das faixas de renda do programa Minha Casa Minha Vida, ajudaram na melhora, segurando a intensidade da queda.
A OCIOSIDADE DA INDÚSTRIA CIMENTEIRA
Apesar da expectativa de crescimento das vendas para 2018, o desempenho ainda será tímido e insuficiente para reverter uma queda acumulada de quase 25 por cento desde 2015 e, principalmente, para aliviar o setor que deverá ainda sofrer com as consequências da ociosidade do parque industrial. Para se ter uma ideia, em 2012 por exemplo, a indústria brasileira de cimento contava com 84 fábricas e uma capacidade instalada de 82 milhões ton/ano e operava com uma ociosidade média de 16%. Em 2015 a ociosidade já chegava aos 30% e para 2016 a taxa subiu para 43% e, como previmos, a ociosidade pulou para 50% no final de 2017.
Considerando apenas o mês de dezembro, a venda de cimento no país caiu também 6,4 por cento sobre o mesmo mês do ano anterior, pressionada por recuo em todas as regiões do país, em especial no Nordeste, onde a queda registrada no mês foi de 13,5 por cento.
Regiões | Part % Venda | 2016 | 2017 | Dif % | Jan-Dez/16 | Jan-Dez/17 |
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Norte | 5% | 238 | 231 | -2,9% | 3.071 | 2.757 |
Nordeste | 21% | 1.063 | 919 | -13,5% | 12.893 | 11.478 |
Centro-Oeste | 11% | 406 | 378 | -6,9% | 5.999 | 5.684 |
Sudeste | 47% | 1.967 | 1.883 | -4,3% | 26.446 | 25.192 |
Sul | 16% | 650 | 638 | -1,8% | 9.063 | 8.658 |
Brasil | 100% | 4.324 | 4.049 | -6,4% | 57.472 | 53.769 |
PROBLEMAS NO NORDESTE
Fica evidente a queda da participação da região nordeste no total das vendas do país. A região que vinha crescendo, sempre, acima dos crescimentos registrados no país até 2014, agora amarga o caminho inverso, com queda da participação no consumo aparente do país, ainda é a segunda região região do país com maior ociosidade da industria com 53 por cento, abaixo apenas do Centro-Oeste com 54 por cento. Na outra ponta, a região com menor ociosidade é o Sudeste, com capacidade produtiva próxima de 42,5 milhões de toneladas fechou o ano com uma ociosidade de 40 por cento. No acumulado do ano a região com maior queda também foi o nordeste que apresentou uma retração de 11 por cento nas vendas de cimento. O Norte teve a segunda maior queda, com recuo de 10 por cento no ano. As regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul registraram quedas menores, respectivamente de 5,3 por cento, 4,7 por cento e 4,5 por cento.